September 15, 2021
From Center For Stateless Society
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Logan Marie Glitterbomb. Artigo original: Consumer Advocacy Groups: The Missing Piece, de 17 de agosto 2020. Traduzido para o portuguĂȘs por Gabriel Serpa.

Muitas vezes, a resposta dos anarquistas de mercado para lidar com mås condutas comerciais consiste na capacidade dos trabalhadores de buscar um novo emprego, dos consumidores de optar por um outro produto, etc. A versão mais apurada desse ideal conta com o sindicalismo radical, boicotes em massa, piquetes e manifestaçÔes. E sim, os trabalhadores devem ser absolutamente capazes de usar tåticas de negociação coletiva para lutar por melhores condiçÔes de trabalho, assim como os consumidores devem ser capazes de se engajar em campanhas de boicote em massa para tratar de suas próprias preocupaçÔes. Mas os trabalhadores, empregados num mesmo local de trabalho, podem se comunicar mais facilmente uns com os outros, e podem utilizar a estrutura sindical para se comunicar e atingir seus objetivos; os consumidores não contam com esses mesmos benefícios.

Certamente, surgiram movimentos de boicote, como a Marcha Contra a Monsanto e outros. Os consumidores tambĂ©m mostram frequentemente seu apoio Ă s campanhas sindicais, participando de boicotes como o da CoalizĂŁo dos Trabalhadores de Immokalee contra a cadeia de fast food Wendy’s, e as recentes greves da AmazonUber Lyft. Mas isso, novamente, Ă© possĂ­vel a partir de recursos disponĂ­veis aos trabalhadores, que organizam essas campanhas, em primeiro lugar. Mas como os consumidores se organizam? Qual Ă© a peça que falta neste quebra-cabeça?

Grupos de defesa do consumidor procuram proteger as pessoas de abusos corporativos, como produtos inseguros, emprĂ©stimos predatĂłrios, propaganda enganosa, astroturfing e poluentes. Esses grupos podem atuar atravĂ©s de protestos, litĂ­gio, campanhas ou lobby. Eles podem se engajar na defesa de uma Ășnica questĂŁo (por exemplo, o direito ao reparo de bens sem que haja interferĂȘncia ou entraves corporativos), ou podem se estabelecer como cĂŁes de guarda do consumidor em questĂ”es mais abrangentes, tal como fazem a Consumer Reports ou a Public Citizen.

As raĂ­zes dos grupos de defesa do consumidor remontam a dois tipos de organizaçÔes precursoras: organizaçÔes de padrĂ”es e ligas de consumidores, ambas surgidas nos Estados Unidos no inĂ­cio dos anos 1900. AssociaçÔes comerciais e de ofĂ­cio estabeleceram as organizaçÔes de padrĂ”es para reduzir o desperdĂ­cio da indĂșstria e aumentar a produtividade. As ligas de consumidores se adequaram aos sindicatos, em sua tentativa de aprimorar o mercado por meio de boicotes, da mesma forma que os sindicatos procuraram melhorar as condiçÔes de trabalho atravĂ©s de greves.

Os grupos de defesa do consumidor podem variar seu enfoque na legislação ou no mercado. Os grupos mais focados no mercado, como a Consumer Reports, fornecem aos membros testes independentes de produtos, anĂĄlises profissionais, relatos de experiĂȘncia dos consumidores, capacidade de comparar lojas para encontrar produtos da mais alta qualidade, atualizaçÔes sobre greves, boicotes, açÔes judiciais e muito mais. Isso permite aos consumidores compartilhar suas experiĂȘncias, evitar produtos ruins e estabelecimentos com prĂĄticas trabalhistas questionĂĄveis, e coordenar açÔes em massa em resposta Ă s mĂĄs condutas empresariais.

Grupos de defesa do consumidor, juntamente a apps como o Buycott, sindicatos de trabalhadores, organizaçÔes alternativas de trabalho e grupos privados de certificação, todos nos oferecem maneiras realistas de impedir que as empresas abusem de seus empregados, consumidores, do meio ambiente e das comunidades vizinhas. Devemos desmontar a ideia de que um mercado livre permite que as empresas funcionem sem nenhum controle ou equilĂ­brio. Em vez disso, devemos demonstrar que o mercado pode ser o melhor regulador de todos, promovendo e expandindo esses tipos de recursos e organizaçÔes no aqui e agora. Sem o Estado, a decisĂŁo Ă© nossa.




Source: C4ss.org