July 9, 2021
From Center For Stateless Society
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Logan Marie Glitterbomb. Artigo original: Terrorist is the New Green, 18 de Março de 2017. Traduzido por Gabriel Serpa.

Algumas greves promovidas pelo sindicato IWW (Industrial Workers of the World), combinadas com a revolução bolchevique na Rússia, foram suficientes para instaurar nos Estados Unidos uma paranoia sobre uma suposta ameaça comunista. Assim começou o chamado primeiro Terror Vermelho. Casas de anarquistas, socialistas, social-democratas, comunistas e outros foram invadidas e averiguadas, e pelo menos 500 pessoas foram deportadas durante os chamados Palmer Raids. O Estado fez pouca distinção entre as várias ideologias revolucionárias e, por vezes, investigou pessoas com base em suspeitas infundadas. Os mais afetados foram os imigrantes: Wilson concluiu que eles injetaram o veneno da discórdia nas veias da vida nacional. Para ele, os imigrantes eram criaturas de paixão, traidores, anarquistas que devem ser esmagados. O Terror Vermelho continuou até cerca de 1920, não sem aprovar a Lei da Sedição, de 1918, e várias outras leis estaduais contrárias aos sindicatos.

O segundo Terror Vermelho surgiu após a Segunda Guerra Mundial sob o nome de macartismo. O medo de espiões comunistas soviéticos e chineses levou muitos a denunciar vizinhos, colegas, amigos, família e qualquer pessoa suspeita de ser comunista. As pessoas foram levadas ao Comitê de Atividades Antiamericanas e questionadas sobre supostas associações com o Partido Comunista dos EUA. Muitos acabaram numa lista negra que os impedia de trabalhar, viver e muito mais; outros foram presos ou deportados. Em Agosto de 1956, no final do segundo Terror Vermelho, o FBI lançou a COINTELPRO. O programa envolvia originalmente a vigilância ilegal dos membros da PC americano; foi posteriormente alargado para incluir os defensores dos direitos civis e do poder negro, antimilitaristas e a nova esquerda — até ser desmascarado e encerrado em 1971.

Em 2002, uma audiência do Congresso chamada A Ameaça do Eco Terrorismo deu origem ao que se chama hoje de Terrorismo Verde. Desde então, os agentes governamentais têm visado ambientalistas e ativistas dos direitos dos animais envolvidos em associações como a Frente de Libertação da Terra (ELF), a Frente de Libertação Animal (ALF) e a Terra Primeiro. Em 2006, o Congresso aprovou o Animal Enterprise Terrorism Act, uma expansão do Animal Enterprise Proteciton Act, de 1992. Isto resulta em possíveis acusações de terrorismo para ambientalistas e ativistas dos direitos dos animais, mesmo para atos não violentos como um website.

Sob o reinado de Trump, os legisladores republicanos aproveitaram a oportunidade para tentar aprovar, em pelo menos dez estados, várias leis anti protesto, incluindo uma proibição de cobertura facial no Missouri e uma lei que reclassificaria a adulteração de equipamento petrolífero, ou de gás, de uma contravenção a um crime de Classe 6. Em Dakota do Norte, está em discussão um projeto de lei que legalizaria o atropelamento de manifestantes.

Segundo o advogado do sindicato das liberdades civis, Lee Rowland, esta tendência de fazer leis anti protesto disfarçadas de obstrução à justiça é muito preocupante. Uma lei que permite ao Estado multar um manifestante em 10.000 dólares por colocar o pé no lugar errado, ou que absolve o condutor de acusações de homicídio involuntário porque a vítima era um manifestante, só serve para sufocar os protestos.

Rotular associações como a Ação Antifascista, Black Lives Matter e Water Protectors como terrorismo doméstico; autorizar a sua detenção arbitrária; espancá-los na rua; e cortá-los com um carro só serve para priva-los da liberdade de expressão e de reunião — garantida pela Primeira Emenda. Ao rotulá-los como terroristas, o Estado dá bom uso à propaganda da guerra ao terror da última década e justifica a guerra à dissidência contra os nossos concidadãos. Não podemos permitir que o Estado governe desta forma com impunidade. Como anarquistas, devemos desafiar a autoridade e apoiar os nossos amigos que se juntam a nós na luta, mesmo quando não pensamos como eles. O sucesso da nossa luta futura depende da nossa vontade de ajudar os nossos amigos que são vítimas destas novas leis.

É por isso que o Partido Verde criou recentemente a Ala de Defesa Geral do Green Party, formulada a partir do Comitê de Defesa Geral do IWW, para angariar dinheiro e oferecer recursos aos ativistas do Partido Verde presos pelas suas atividades. A Audacious Caucus do Partido Libertário, no seu esforço de promover a ação direta e a desobediência civil entre os ativistas daquele partido, também estabeleceu o seu próprio fundo de proteção.

Não podemos, contudo, confiar inteiramente nos partidos, especialmente quando o seu objetivo principal é a defesa dos seus membros. Muitos manifestantes não são membros de nenhum partido. Muitos querem que a semana de 1 a 7 de Abril se torne a Semana de Solidariedade, em defesa dos manifestantes do #DisruptJ20 que enfrentam acusações criminais; dos Protetores da Água presos por se manifestarem contra o Gasoduto de Sabal Trail e o Gasoduto de Dakota; ativistas do Black Lives Matter na prisão ou em julgamento; e todos os outros que foram afetados pela repressão contra dissidentes. Pode-se participar angariando dinheiro para os detidos, organizando um comício para chamar a atenção para estas novas leis, exercendo pressão sobre os políticos locais, de forma a convence-los a votar contra elas, ou fazendo o que quer que se imagine para ajuda-los. É claro que não vamos ficar parados enquanto os manifestantes levam a pecha de terroristas.




Source: C4ss.org