September 1, 2021
From Center For Stateless Society
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De Kevin Carson. ArtĂ­go original: A Reminder on Unionism, 6 de agosto 2021. Traduzido para o portuguĂȘs por Gabriel Serpa.

Um Lembrete sobre o Sindicalismo para os Analfabetos em Economia e HistĂłria

Recentemente, o ex-candidato presidencial do Partido LibertĂĄrio, Vermin Supreme, postou no Facebook um apoio Ă  greve da Pepsico.

E recebeu o tipo de resposta que eu jĂĄ esperava, dada a cultura predominante no Partido LibertĂĄrio. Um direitista qualquer comentou:

A capacidade de fazer greve Ă© uma liberdade. Mas o direito de demitir grevistas e contratar substitutos, que Ă© restrito por força de lei com a NLRA (National Labor Relations Act), tambĂ©m Ă©. Sem o governo para restringir este Ășltimo, o direito Ă  greve e os sindicatos nĂŁo teriam sucesso.

Este Ă© um argumento usado pela direita libertĂĄria com o qual estou bastante familiarizado, jĂĄ que o vejo sendo dogmaticamente repetido por pessoas como Tom DiLorenzo no Mises. org, no FEE, e por gente que tem um conhecimento prĂłximo a zero sobre a histĂłria real do trabalho.

O modelo de ação operĂĄria atual, baseada na greve convencional e declarada, Ă©, em grande parte, uma criação da NLRA, e a principal razĂŁo para que fosse aprovada se deve ao fato de que os patrĂ”es precisavam dela. Sim, o NLRA protegeu o direito Ă  greve, mas sĂł o fez porque o patronato precisava de um regime trabalhista que domesticasse lideranças sindicais, limitando-as a realizar meras negociaçÔes sobre salĂĄrios, benefĂ­cios e horas, alĂ©m de fazĂȘ-las reconhecer o direito de seus patrĂ”es de chefiar. E, acima de tudo, era preciso engajar as lideranças sindicais no cumprimento dos termos de contratos que iam contra sua prĂłpria classe, alĂ©m de conter protestos e greves de insatisfeitos incontrolĂĄveis.

Quanto Ă  ameaça de demissĂŁo e substituição de todos, isso me faz lembrar muito das constantes ameaças, feitas por direitistas, de que a gerĂȘncia substituirĂĄ os trabalhadores de fast foods por robĂŽs, caso o salĂĄrio mĂ­nimo deles seja aumentado: Ă© o tipo de coisa de que se fala muito em sites libertĂĄrios, mas que nĂŁo acontece muito no mundo real. Isso porque hĂĄ um custo enorme e natural que envolve conhecimento tĂĄcito e capital social da força de trabalho; algo que leva anos para se acumular. É por isso que as taxas de desperdĂ­cio, os produtos defeituosos e os recalls aumentam muito quando os fura-greves assumem a produção.

Como eu disse hå muito tempo, em resposta a uma afirmação do DiLorenzo:

Em primeiro lugar, quando a greve foi escolhida como uma arma do trabalhador, ela se baseava mais na ameaça da imposição de custos ao empregador do que na exclusĂŁo forçada de fura-greves. NĂŁo seria tĂŁo difĂ­cil que os seguidores cegos de Mises entendessem que a substituição de uma grande parte da força de trabalho, especialmente quando a oferta de substitutos Ă© limitada pela simpatia com a greve, pode acarretar custos de transação considerĂĄveis, alĂ©m da interrupção da produção. O conhecimento idiossincrĂĄtico da força de trabalho existente, o tempo e o custo de levar os trabalhadores substitutos a um grau de produtividade equivalente e os danos que a interrupção da produção a curto prazo podem causar Ă s relaçÔes com os consumidores constituem um alto custo dissuasivo – representado pela ameaça de acabar saindo com um prejuĂ­zo considerĂĄvel. O custo e a interrupção ainda sĂŁo intensificados quando a greve Ă© apoiada por simpatizantes de outras etapas da produção. Wagner e Taft-Hartley reduziram muito a eficĂĄcia das greves em fĂĄbricas individuais, transformando-as em guerras declaradas, travadas pelas regras de Queensbury, e tambĂ©m reduziram sua eficĂĄcia ao proibir a coordenação de açÔes em mĂșltiplas fĂĄbricas ou indĂșstrias. Os perĂ­odos de resfriamento da Lei Taft-Hartley, alĂ©m disso, deram aos empregadores tempo para se prepararem com antecedĂȘncia para tais interrupçÔes e reduziram muito os custos informativos embutidos no treinamento da força de trabalho. Se tais restriçÔes nĂŁo existissem, a economia atual provavelmente seria muito mais vulnerĂĄvel a tais interrupçÔes do que a dos anos 30.

Mais importante, porém, o sindicalismo foi, historicamente, menos preocupado com greves ou com a exclusão de trabalhadores não-sindicalizados, e mais com o que os trabalhadores faziam dentro do local de trabalho para fortalecer seu poder de barganha contra seu patrão.

A Lei Wagner, juntamente com o resto do regime jurĂ­dico liberal corporativo, tinha como objetivo o redirecionamento da resistĂȘncia trabalhista para longe do modelo de guerra assimĂ©trica bem-sucedido, em direção a um sistema formalizado e burocrĂĄtico, centrado em contratos de trabalho impostos pelo Estado e pelas hierarquias sindicais.

Se vocĂȘ quer voltar ao tempo em que o Estado nĂŁo protegia o direito Ă  greve, mas os sindicatos tambĂ©m nĂŁo se limitavam apenas a fazĂȘ-las, vĂĄ em frente. VocĂȘ vai jogar fora todas as proteçÔes patronais da NLRA junto das proteçÔes para o trabalho. Pode-se ter uma ideia de quais alternativas estavam disponĂ­veis aqui. Portanto, peço encarecidamente: nĂŁo me ofereça duas vezes! Seria um enorme sacrifĂ­cio aceitar.




Source: C4ss.org